Universidade Federal da Paraíba – UFPB
Centro de Ciências Aplicadas e Educação – CCAE
Departamento de Educação
Campus IV – Rio Tinto
Disciplina: Avaliação
de aprendizagem
Professor: Joseval
Miranda
Aluna: Digelvânia
da Silva Clementino
Síntese reflexiva do texto: Uma
polêmica em relação ao exame.
O exame se
converteu num instrumento no qual se deposita a esperança de melhorar a
educação. Parece que tanto autoridades educativas como professores, alunos e a
sociedade consideram que existe uma relação simétrica entre sistema de exames e
sistema de ensino. O exame é um efeito das concepções sobre a aprendizagem, não
o motor que transforma o ensino. É importante analisar a forma como o exame
moderno efetua uma série de reducionismos técnicos sobre o saber pedagógico.
A nova política
educativa – de corte neoliberal – responde aos resultados de racionalidades que
impõe a conjuntura da crise econômica. Seus fundamentos conceituais são
expressos através de noções como: qualidade da educação, eficiência e eficácia
do sistema educativo, maior vinculação entre sistema escolar (entenda-se
currículo) e necessidades sociais (entenda-se modernização e/ou reconversão
industrial).
Todo mundo sabe
que o exame é o instrumento a partir do qual se reconhece administrativamente
um conhecimento, mas igualmente reconhece que o exame não indica realmente qual
é o saber de um sujeito. É habitual que tanto os estudiosos da educação como
qualquer pessoa comum pensem que o exame é um elemento inerente a toda ação
educativa. Isto é, é natural pensar que depois de uma aula os estudantes devem
ser examinados para valorar se adquiriram o conhecimento apresentado. Em certo
sentido, quando a sociedade não pode resolver problemas de ordem econômica
(definição de orçamento), de ordem social (justiça na distribuição de
satisfações), de ordem psicopedagógica (conhecer e promover os processos de
conhecimento de cada sujeito) transfere esta impotência para uma excessiva
confiança em “elevar a qualidade da educação”, só através de racionalizar o uso
de um instrumento: o exame.
O exame é só um
instrumento que não pode por si mesmo resolver os problemas gerados em outras
instâncias sociais. Não pode ser justo quando a estrutura social é injusta. Uma
das funções atribuídas ao exame é determinar se um sujeito pode ser promovido
de uma série para a outra. Permitir o ingresso de um indivíduo em um sistema
particular ou legitimar o saber de um indivíduo através da certificação ou da
outorga de um título profissional. Os problemas de ordem social: possibilidade
de acesso à educação, justiça social, estratos de emprego, estrutura de
investimento para o desenvolvimento industrial etc. O exame realiza uma
inversão entre os problemas de método e os de rendimento. Assim, o exame era
espaço público para mostrar a competência que se havia adquirido. Com o
aparecimento das novas funções do exame: certificar e promover, quando existe
uma dificuldade de aprendizagem, os professores e as instituições (caso do exame
departamental) aplicam exames. Seja o resultado do trabalho de um grupo de
especialistas que buscam unificar (uniformizar) a linguagem dos educadores para
que cada símbolo atribuído a um aluno (sua nota ou conceito) tenham a mesma
significação. Ambas as concepções (testes e avaliação) são o resultado do processo
de transformação social que a industrialização monopólica provocou nos Estados
Unidos. A partir deste debate se estabelecia que alguns estudantes mereciam
receber educação em virtude de uma qualidade congênita: a inteligência.
Thorndike e seus discípulos se deram a tarefa de elaborar testes de rendimento
escolar que permitissem efetuar esta discriminação.
Testes objetivos
pode ajudar ao psicólogo e ao educador a cumprir uma de suas funções
principais: “determinar se uma pessoa deve ser promovida, determinar se uma
pessoa deve ocupar determinado posto”. Thorndike, os psicólogos e educadores,
como novos sacerdotes da sociedade moderna, decidem sobre o lugar que cada
pessoa corresponde ocupar. Os testes de aprendizagem, sob a forma de provas
objetivas, se incorporaram muito cedo no sistema educativo mexicano. O debate em relação ao exame se converteu num
debate técnico centrado em problemas tais
como: construção de provas, tipos de prova, validação estatística do
exame e atribuição estatística de notas. Desta maneira emergiram novas
especialidades educativas para as quais foi preciso dar capacitação. Entre elas
se destacam: avaliação, sistematização, currículo, estratégias de instrução.
O exame é apenas
um espaço de conflitos entre problemas de diversas índoles. A nota escolar é um
ato que se materializa no século XIX. De fato perverteu as relações pedagógicas
ao centrar o resultado de um curso, apenas em função do exame. Recordar que a
conformação da escola a partir da Revolução Francesa criou as bases para estabelecer
um sistema de certificação educativa. Se realiza sobre habilidades e
conhecimentos que se supõe que um indivíduo tenha como requisito para ingressar
no trabalho. A credencial educativa encontra vinculada mais ao desenvolvimento
do capitalismo do que às exigências inerentes às práticas educativas.
A atribuição de
uma nota é um problema da instituição educativa e da sociedade; não é uma
questão intrínseca da pedagogia. O problema das notas não se pode abordar desde
a perspectiva de objetividade e justiça. O problema da objetividade está, por uma
parte, na dimensão de sujeitos que caracteriza professores e alunos; e pela
outra, em que não há forma de que tal nota refletia uma qualidade (aprendizagem).
A nota só é uma convenção através da qual a escola certifica um conhecimento.
Podemos concluir que a pedagogia, ao preocupar-se tecnicamente com os exames e
notas, caiu numa armadilha que a impede de perceber e estudar os grandes
problemas da educação.
Para concluir, podemos
observar que tudo isso era uma forma de aprendizagem de como esses processos
eram avaliados, os alunos tinham que passar por exames, e como eles tinham que
fazer para obter as notas. Era sempre uma preocupação com relação ao exame e ao
ensino.
Referência:
BARRIGA,
Angel Diaz. Uma polêmica em relação ao exame. In: ESTEBAN, Maria Teresa (Org.).
Avaliação: uma prática em busca de
novos sentidos. 5. Ed. Rio de Janeiro: DP& A, 2003, P. 51– 82.
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